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9 de novembro de 2012

Igreja Católica de SP diz que falta de políticas públicas causa violência


Bispo auxiliar lembra que onda de violência atinge bairros mais pobres da cidade 

 SÃO PAULO - Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Igreja Católica afirmou que a violência na periferia de São Paulo é "fruto do descaso, da falta de políticas públicas, investimentos nos serviços básicos, defesa dos direitos humanos, promoção da vida com dignidade para todos" e pede uma parceria do governo com a sociedade civil para por fim aos conflitos, reunindo a Polícia Militar, entidades e organizações populares para encontrr um caminho para superar a barbárie.
Assinada pelo bispo auxiliar de São Paulo, dom Milton Kenan Júnior, a nota afirma que muitas paróquias e comunidades estão sendo obrigadas a mudar horários de celebrações e encontros e cancelar reuniões devido à falta de segurança e ao clima de ameaça, com toque de recolher já no período da tarde e assassinatos durante a noite e madrugada.
O bispo afirma que as comunidades do Jardim Ângela, Campo Limpo, Capão Redondo e Jardim São Luiz, na Zona Sul de São Paulo, registraram 49 mortes de jovens entre 14 e 29 anos. Na zona norte, afirma, as mortes se concentraram na região da Brasilândia, nos bairros Carumbé, Cruz das Almas, Guarani, Damasceno, Morro Doce e adjacentes.
"É lamentável ver que a Polícia Militar esteja tornando-se única vítima deste cenário, quando na verdade, não é! Lamentamos a morte das dezenas de policiais nestas últimas semanas. Muitos deles pais de família, preocupados com o bem estar das pessoas, mortos no exercício de sua missão. Mas, fere-nos ouvir que há grupos de extermínio formados por policiais civis e militares, pagos para matar indiscriminadamente. Não são poucas as famílias que choram a morte de seus filhos inocentes, que morreram não por causa de uma bala perdida, mas por causa de policiais que matam pelo prazer de matar, sem escrúpulo algum!", diz a nota.
O bispo afirma que quem convive nessses bairros conhece a precariedade dos moradores em vários setores, como saúde, educação, lazer e segurança. Para ele, as cenas de truculência estão ocorrendo contra a população mais pobre e desprotegida.
"Seria lamentável a criminalização das populações da periferia da cidade de São Paulo, ou seja, que os ‘culpados’ da barbárie que sofremos fossem os negros, os pobres e os jovens", diz a nota.
O bispo auxiliar cita ainda os vários incêndios ocorridos em favelas este ano, sabidamente cobiçados pela especulação imobiliária, e lembra que a Pastoral Carcerária vem chamando a atenção para a super população no sistema carcerário do estado, que duplicou no primeiro semestre deste ano.


Fonte: http://oglobo.globo.com

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