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18 de janeiro de 2010

VATICANO CRITICA FILME AVATAR


L’Osservatore Romano (LOR) dedicou três dos seus artigos da ediçãdo fim de semana ao filme de sucesso de bilheteria dirigido por James Cameron, Avatar, nos quais criticou o sentimentalismo, panteísmo e espiritualismo ecológico do filme.

Em um primeiro artigo se destaca que Cameron faz um paralelo entre o “genocídio” dos brancos contra as populações nativas dos Estados Unidos, apresentando aos humanos do filme, como aos primeiros e aos segundos como aos “na’vi” do filme que habitam no mundo de Pandora, lugar onde transcorre a ficção.
A história do diretor, diz o texto, “tem uma aproximação branda, conta-se sem aprofundar e termina por cair no sentimentalismo”.
“Tudo se reduz –prossegue– a uma parábola anti-imperialista e anti-militarista fácil, logo que esboçada, que não tem a mesma mordente de outros filmes que procuram mostrar estes aspectos”.
O ecologismo de Avatar, diz o LOR, “inunda-se de um espiritualismo ligado ao culto da natureza que pisca o olho a uma das tantas modas do tempo. A mesma identificação dos destruidores com os invasores e dos ambientalistas com os indígenas aparece logo como uma simplificação que menospreza o âmbito do problema”.
O segundo artigo expõe o nascimento de um filme de culto com o Avatar. “Inaugurará, talvez –diz o texto– um novo gênero, criando um imaginário coletivo no qual se refletirá uma vez mais a força atrativa dos mundos alternativos, uma certa forma de espiritualismo ecológico hoje de moda e o temor, muito difundido, a viver uma verdadeira transcendência”.
O terceiro texto, tomado pelo LOR da revista Mondo e Missione (Mundo e Missão) leva por título “A religião de Pandora” e refere a opinião de alguns colunistas sobre este tema. O texto cita o comentarista de assuntos religiosos do New York Times, Ross Duhat, quem considera que Avatar apresenta “uma apologia do panteísmo, uma fé que faz Deus igual à natureza, e chama a humanidade a uma comunhão religiosa com o mundo natural”.

Este comentarista, prossegue o artigo, “recorda que esta visão religiosa é uma espécie de cavalinho de batalha de Hollywood mais recente. Para o Douthat a opção panteísta do Cameron e da indústria cinematográfica dos Estados Unidos em geral, segue através deste caminho porque ‘milhões de americanos responderam a ela de maneira muito positiva’”.
“E como reconhecia –continua– no século XVIII o filósofo francês Alexis de Tocqueville, ‘o credo americano na essencial unidade do gênero humano nos leva a anular toda distinção na criação. O panteísmo abre a porta a uma experiência do divino para as pessoas que não se sentem à vontade na perspectiva escriturística das religiões monoteístas’”.

Depois de fazer algumas comparações do filme com a concepção do hinduísmo, como que a cor azul dos na’vi seja similar ao da deusa Shiva –uma de suas principais deidades– o artigo sugere, citando a um blogger americano, que Cameron também poderia ter “unido a antiga teologia cristã da graça e da redenção à sua parábola anti-imperialista’. (quando afirma que chegar a ser um na’vi é voltar a nascer)”.
“O debate, como se vê, está mais aberto que nunca”, conclui.
Fonte : ACI

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