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12 de dezembro de 2010

A força da fé, espiritualidade e a cura do doente.

Quando Mafalda Ribeiro recebeu de um amigo botões de rosa vermelha, deu-se conta de que havia sido atendida no pedido feito a Santa Teresinha: tudo tinha corrido bem na cirurgia para extirpar um câncer de mama, e ela iria sobreviver. Passados 11 anos, Mafalda continua em tratamento, bem viva para se alegrar com seus 74 anos e ainda em atividade profissional. O que teria acontecido com ela? Um feliz acaso, as rosas foram sinal de milagre ou a operação e o tratamento bem-sucedido apenas resultado de uma rigorosa lógica médica?

Entender a força da espiritualidade e da fé no tratamento de pacientes tem sido uma ação constante e reveladora para o cirurgião Fernando Lucchese, autoridade em transplantes cardíacos, diretor do Hospital São Francisco e do Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre.
Eis alguns trechos da entrevista, concedida ao jornal Zero Hora.

A fé e a cura

“A fé é um complemento importante para a cura. Ninguém está prescrevendo religião como tratamento, mas fé se trata de uma ajuda importante para a cura, pois cria um ambiente, uma motivação.”

Definição do fenômeno

“Somos corpo, mente e espírito. O corpo se movimenta ou se mobiliza com exercício. A mente também, e o espírito se mobiliza com a fé, por acreditar em alguma coisa, em uma pessoa, numa felicidade possível. A questão do sagrado é muito importante, pois faz parte da história da humanidade.”

Fé religiosa ou científica

“Os cientistas estão, progressivamente, acreditando mais em espiritualidade. Einstein foi um cientista religioso, uma figura extraordinária que chegou à conclusão, pela razão, da necessidade da existência de Deus.”

Espiritualidade e ensino

“O ensino acadêmico no Brasil não abriu espaços para tratar desses temas, é uma pena. Existem alguns cursos, algumas aulas que se dá. Eu sempre dou uma aula sobre espiritualidade para os estudantes, mas na realidade não há uma disciplina.”

Nos hospitais

“A espiritualidade já entrou nos hospitais, nos consultórios. No ano passado, fiz uma palestra sobre transplante cardíaco em um congresso no Nordeste. No final, vieram três colegas falar comigo. Me perguntaram sobre como é essa questão da espiritualidade e como eu manejo isso no dia a dia com relação aos pacientes. A humanização do médico começa a ocorrer. Hoje, já não sou mais considerado ridículo. No início, me diziam: “Tá virando padre”. Nada disso, estou virando médico, um bom médico. Entendo o ser humano de corpo, mente e espírito.”

A cautela dos hospitais

“Os hospitais encaram a espiritualidade com reservas pela confusão que fazem entre ela e a religiosidade. Mesmo nos hospitais religiosos existe um certo receio. Os médicos foram muito responsáveis, por muito tempo, por esse comportamento. Os hospitais estão diferentes do início da década, existem atos religiosos, mas isso não é o essencial. O mais importante é a equipe de espiritualidade que visita os pacientes. Se o médico apoia, a aceitação desse trabalho chega a 95%.”

O avanço das pesquisas

“Os últimos congressos falam em medicina complementar. Os profissionais discutem se a oração funciona. Essas questões são encaradas como parte da atividade médica. E as pesquisas crescem.”

Relação médico-paciente

“No consultório, o médico que não gastar mais tempo com o paciente vai se dar mal. Médico vendedor de receita está em extinção. Em 10 anos, estará fora do mercado. Na minha turma, todo mundo pesquisa e se mete na vida dos pacientes. O médico precisa fazer isso para poder ajudar. Aí está o âmago da questão: a espiritualidade, o afeto, a relação, a nova linguagem que une médico e paciente.”

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