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29 de março de 2012

Papa reza missa e defende espaço maior para Igreja Católica em Cuba

Celebração para 500 mil foi acompanhada por Raúl Castro em Havana.
Bento XVI deve se encontrar com Fidel Castro ainda nesta quarta.

O Papa Bento XVI pediu nesta quarta-feira (28) a Cuba que continue ampliando o espaço para a ação da Igreja Católica, destacando que a liberdade religiosa é essencial, ao celebrar uma missa na Praça da Revolução de Havana, que teve a presença do presidente cubano, Raúl Castro.
"Reconhecemos com alegria que, em Cuba, estão sendo dados passos para que a Igreja realize sua missão ineludível de expressar pública e abertamente sua fé", afirmou o Papa em sua homilia ante 500 mil cubanos reunidos na praça, que é local de grandes manifestações comunistas.
"Para poder exercer esta tarefa, a Igreja há de contar com a essencial liberdade religiosa", precisou.
"É preciso seguir adiante, e desejo estimular as instâncias governamentais da nação a reforçar o já alcançado e a avançar por este caminho de genuíno serviço ao bem comum de toda a sociedade cubana", acrescentou o Papa na segunda missa que oficia na ilha, na presença de Raúl Castro e do chanceler Bruno Rodríguez.

O Papa Bento XVI e o presidente de Cuba, Raúl Castro, após missa nesta quarta-feira (28) em Havana (Foto: Reuters) 
O Papa Bento XVI e o presidente de Cuba, Raúl Castro, após missa nesta quarta-feira (28) em Havana (Foto: Reuters)

O pontífice, de 84 anos, foi ouvido sob um sol radiante por meio milhão de fiéis, assim como ateus, comunistas e adeptos da santeria, rito afrocubano que mistura espiritualismo africano com o catolicismo.
O Papa disse que a Igreja busca dar seu testemunho não apenas nas catequeses, como também no âmbito escolar e universitário. As escolas católicas e todos os colégios particulares foram estatizados depois da chegada de Fidel Castro ao poder em 1959.
"Ela (a Igreja) busca dar este testemunho em sua pregação e ensino, tanto na catequese como nos âmbitos escolares e universitários. É de se esperar que logo chegue aqui também o momento de que a Igreja possa levar aos campos do saber os benefícios da missão que seu Senhor encomendou e de que nunca pode descuidar", afirmou o Papa.
Além de agradecer a Deus, "que nos reúne nesta emblemática praça", o pontífice disse que "a verdade é um anseio do ser humano, e buscá-la sempre supõe um exercício de autêntica liberdade".
Bento XVI chegou à praça no "papamóvel" branco, com as janelas abertas, cercado por vários agentes de segurança.
Em 1998, nesse mesmo lugar, na presença de Fidel Castro, João Paulo II, o primeiro Papa a visitar a ilha, celebrou uma histórica missa em que pediu que "Cuba se abra para o mundo para que o mundo se abra para Cuba".
Católicos cubanos partiram da Catedral de Havana ao amanhecer desta quarta-feira em uma procissão com a imagem da Virgem da Caridade do Cobre até a Praça da Revolução.
A imagem iluminada da Virgem, conhecida como "Mambisa", foi saudada com aplausos pelas ruas de Havana, numa procissão que deve percorrer seis quilômetros, a mais longa em décadas em Cuba.
As procissões religiosas estavam proibidas em Cuba desde os anos 60 pelo então governo ateu de Fidel Castro até que foram restituídas pelo líder da Revolução durante a visita do Papa João Paulo II em 1998. O Estado cubano deixou o ateísmo em 1991 e passou a ser simplesmente laico.
"Vim adorar a Virgem da Caridade pela congregação que estamos fazendo pela visita do Papa", afirmou à AFP Ever Marín, de 13 anos, que participa pela primeira vez de uma procissão.
Bento XVI oficiou uma missa campal na segunda-feira, em Santiago de Cuba (sudeste), ante 200 mil pessoas.
Depois do ofício religioso, o Papa se reúne com o pai da revolução cubana, Fidel Castro, antes de deixar a ilha às 17h locais (19h de Brasília), pondo fim a um viagem de seis dias pelo México e Cuba, a primeira que realiza por nações latino-americanas de fala espanhola.

Fotos: http://g1.globo.com/

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