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7 de março de 2013

Obediência - A porta da Salvação




Existe um conceito, no Evangelho, que causa muita controvérsia. Esse conceito é a Obediência.
Obediência ao Pai, a Seus Mandamentos. Aprendi, durante toda a minha vida e, principalmente, durante o meu crescimento espiritual, que a obediência serve apenas para nos ensinar a crescer, para nos ensinar a ser humildes e mansos como criancinhas, para nos ensinar que nós não sabemos tudo e que temos ainda tanto para aprender.

O Pai nos deu mandamentos para nosso bem. Se pensarmos bem, todos eles são para o nosso bem.
Sejam os  Dez Mandamentos mundialmente famosos, sejam outros revelados pessoalmente. Todos são para o nosso bem. Todos nos ajudam a discernir o que está certo do que está errado, ajudam-nos a discernir que com as nossas escolhas virão consequências que poderão ser desagradáveis, seja agora seja no futuro. 

Quando éramos crianças, nossos pais diziam "não coloques a mão na tomada senão apanhas um choque".
Como qualquer criança curiosa eu fui lá aprender duas coisas: O que era um choque e porque iria doer e, também, que era bom fazer o que os pais dizem. Se tivesse obedecido não teria sofrido pela transgressão desse mandamento de meus pais. Os Mandamentos de Deus são a mesma coisa. Eles nos impedem de sofrer pela transgressão, pela escolha errada. 

Claro que podemos dizer que a aprendizagem vem por experiências.
Claro que é só caindo que vamos aprender como nos equilibrar para andar e correr, ou seja, a experiência da queda nos ajuda a ficar de pé para não cair de novo.
Não necessitamos de experimentação para saber se é bom ou mau e se, no fundo, serve para nosso crescimento. O meu primeiro exemplo é um desses casos. Não era necessário colocar a mão na tomada para aprender a nunca colocar a mão na tomada. Fui avisado que era mau e esse conhecimento deveria bastar. Como não preciso ser atropelado por um carro para aprender a atravessar a estrada no sinal verde na passadeira, ou preciso ficar viciado em drogas para aprender que nunca devia sequer ter começado a usar.

Foi nos dado a capacidade de pensar e discernir o mundo à nossa volta.
Foi nos dada a capacidade de saber escolher e saber fazer essas escolhas baseadas em fatos, em exemplos, em Mandamentos.
Não precisamos experimentar tudo para fazer a escolha. Essa experimentação do tudo pode ser confundida com uma mera curiosidade que não é benéfica para nós. Ela pode ser simplesmente derivada do nosso Orgulho de eu é que sei e farei o que eu quiser, onde a opinião de mais experientes não interessa. Passamos todos por esta fase na adolescência, mas a quem a viva para toda a vida. 
Faz parte da nossa natureza humana ser rebelde e questionar tudo. 
Faz parte da nossa natureza espiritual ser virtuoso e sábio no uso do conhecimento.
Devemos ser sábios quando as escolhas nos são apresentadas. Se temos duas por onde escolher, não devemos tentar as duas para ver qual delas é a mais doce e qual a mais amarga. Quantos de nós não perdeu sua liberdade e felicidade porque decidiu experimentar em vez de ser obediente?

Por mais difícil que seja ser Obediente ao Pai esse será sempre o caminho certo a seguir, pois Ele não manda fazer nada sem que antes tenha preparado um caminho para ser cumprido. Esse caminho é percorrido segundo nosso entendimento, nossas escolhas e nossa Obediência a Ele. A Obediência ao Pai não nos retira o direito à decisão, pelo contrário, ela exige mais estudo, mais meditação e ponderação, exige mais de nós do que simplesmente fazer o que o mundo acha correto.

AS VIRTUDES

Já que Deus nos deu tantas coisas boas, é normal que procuremos viver dentro de Sua Lei, praticando o bem, amando a Deus e ao próximo. Para nos ajudar a bem agir, Deus nos dá uma grande ajuda, soprando dentro de nossas almas as Virtudes e os Dons do Espírito Santo.

A natureza humana é dotada de forças habituais, enraizadas, muitas vezes adquiridas pela repetição constante dos atos correspondentes. Essas forças são chamadas habitus.

 Os habitus podem ser bons ou maus. Habitus bom, chama-se VIRTUDE. Habitus mau chama-se VÍCIO. Estamos, aqui, falando da natureza, forças comuns a todos os homens, virtudes naturais. Quando, porém, é o próprio Deus quem sopra em nossas almas essas virtudes, elas já não vem da natureza  e já não são comuns a todos os homens. Elas passam a se chamar virtudes sobrenaturais ou infusas, por ter em Deus sua fonte e por ter a Deus por referência, quando praticamos os seus atos.

 Assim, uma pessoa pode ser boa por virtude natural de bondade. Esta virtude lhe trará o reconhecimento e o aplauso dos homens, mas não terá nenhum vínculo direto com sua salvação eterna. Quando, pela graça santificante, a virtude é sobrenatural, além do aplauso dos homens, ela terá o aplauso de Deus e lhe servirá para a vida eterna. Essa distinção entre ordem natural e ordem sobrenatural é muito importante.

As virtudes são, então, como que uma força habitual, que não desaparece com facilidade, que nos leva a viver retamente, praticando o bem e evitando o mal. Elas sempre acompanham a graça santificante. Nós recebemos as virtudes pela primeira vez na hora do Batismo. Depois, quando pecamos gravemente, perdemos todas aquelas jóias de Deus.Mas a Confissão, devolvendo a graça, devolve também as virtudes que tínhamos perdido pelo pecado.

Quando nós não praticamos atos de virtude, acabamos adquirindo na alma uma força má, que é o contrário da virtude. Esta força má chama-se vício. Os vícios também são muito difíceis de desaparecer da alma. Por isso é preciso muito esforço para não deixar eles entrarem na nossa alma, pois nos levam ao pecado.

Existem virtudes que nos levam a conhecer e amar a Deus, que são as virtudes teologais: a Fé, a Esperança e a Caridade; as que nos levam a agir corretamente em tudo o que fazemos, que são as virtudes cardeais: Prudência, Justiça, Força e Temperança. Cada uma dessas sete virtudes, trazem consigo outras virtudes. Por exemplo: praticando atos da virtude de Força, poderemos também agir com Coragem. Já a virtude de Temperança nos ajuda a praticar a Castidade ou ainda a Humildade. E assim por diante. Vamos estudar uma série dessas virtudes, o que nos ajudará a conhecer melhor o fundo de nossas almas, para seguir sempre o caminho do amor de Deus.

As Virtudes Teologais:
  • As Virtudes Teologais, como o nome indica, são as virtudes que nos fazem agir bem em relação a Deus. Elas são essencialmente sobrenaturais, pois, além de serem dons divinos, elas se dirigem a Deus nos seus atos. E isso deve nos levar a agradecer muito a Deus. Além de nos ajudar a praticar os atos de virtude necessários para o nosso dia a dia, Nosso Senhor nos infunde na alma virtudes tão especiais que nos levam à sua intimidade, nos devolve a imagem e semelhança divinas que perdemos pelo pecado. Vamos ver como isso se realiza.
 A Virtude da Fé

Nosso Pai Celeste revelou-nos os seus segredos divinos. Tudo o que Ele diz é verdade, pois Ele é a Verdade Eterna; Deus não pode nem se enganar nem nos enganar. Por isso devemos aceitar como verdade tudo aquilo que Deus nos revelou, sabendo com segurança que tudo é verdade, e edificar nossas vidas sobre esta base: Devemos crer em Deus.

Deus se revelou no Antigo Testamento pelos profetas. Mas, principalmente, Deus se revelou por seu próprio Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Somente quem conhece Jesus conhece também o Pai. Por isso devemos ouvir a palavra de Jesus Cristo, que é o Evangelho, e nas nossas orações sempre meditar e pensar na sua vida, paixão, morte e ressurreição. Foi a Santa Igreja Católica que recebeu de Deus autoridade para nos ensinar tudo aquilo que Deus nos revelou. Devemos obedecer à Igreja, seguir seus mandamentos, suas regras de vida e acreditar em tudo o que ela nos manda crer.

Não podemos crer, ou seja, praticar atos de Fé, sem a graça de Deus.  Por isso, devemos sempre pedir a graça santificante. No Batismo, o Divino Espírito Santo nos deu o dom da Fé.  A Fé é como os olhos da alma, com os quais podemos perceber, desde já, os mistérios divinos que contemplaremos face a face no céu.

A vida de Fé: Não podemos viver sempre na infância. Assim como crescemos e devemos aprender as coisas de gente grande, assim também devemos crescer na Fé e no conhecimento de Deus.  Para isso devemos estudar a santa doutrina, no catecismo, e nas leituras, conferências, ouvindo atentamente o sermão do padre. Não esqueçam que vivemos numa época em que as pessoas se acham capazes de ler qualquer coisa que lhes aparece. E vão trazendo o mal da dúvida para seus corações. Quando o padre dizia: não leia tal livro, ele sabia que a salvação eterna daquelas almas estava em perigo. E não basta crer no íntimo do coração. Devemos também professar a nossa Fé publicamente. Nunca devemos negar a Fé em Deus. Eis o que Jesus disse sobre isso: «Aquele que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, a este negarei eu também diante de meu Pai».

Os Pecados contra a Fé

Pecamos contra a Fé quando deixamos ela de lado, esquecendo das coisas de Deus, ou quando a colocamos em perigo. Por exemplo:
quem raramente ou nunca vai a Missa; quem não estuda o Catecismo; quem lê livros que ensinam coisas erradas sobre Deus e sua Igreja;
peca contra a Fé, principalmente, quem admite dúvidas contra aquilo que aprendemos da Santa Igreja Católica; hoje é comum ouvir: eu sou católico, mas não acredito nesse ponto ou naquele. Há muitos que não acreditam em Adão e Eva, que não acreditam no inferno, ou no demônio. Outros não crêem mais na Presença Real de Jesus na Hóstia consagrada. Eles escolhem do dogma católico o que lhes convém. É esse  o sentido da palavra heresia: escolher, separar  por opiniões próprias. O pecado mais grave contra a Fé comete quem a renega, abandonando a Igreja Católica, passando para falsas religiões.

Quem possui a virtude da Fé?

A virtude da Fé é própria dos viajantes e peregrinos. Assim são chamados os que ainda vivem neste mundo, onde temos por obrigação trabalhar para alcançar a Pátria verdadeira, no Céu. A Fé, sendo um conhecimento obscuro de Deus, nos faz conhecer com um véu impedindo a visão total. No céu, a visão será face a face, não haverá mais véu. A visão substitui a Fé. Os santos do Paraíso não precisam mais da Fé, pois vêem a Deus tão bem quanto Ele nos vê.

Mas aqueles que escolhem alguns pontos do Depósito Sagrado e rechaçam outros não têm mais fé, deixam de ser católicos. Isso é muito sério e se explica: o fundamento da Fé não é a evidência científica das verdades reveladas, mas sim o fato de serem reveladas por Deus. É o princípio de autoridade que fundamenta a Fé. Ora, se uma pessoa nega um dos pontos que seja, está recusando a autoridade daquele que revela. Passa a aceitar os demais pontos, não porque Deus é infalível, mas  porque lhe interessa aceitar. A própria pessoa passa a ser o critério da verdade, o que faz dela seu próprio deus. E ela não é mais católica.

Vemos também que a Fé nos ajuda a praticar os três primeiros mandamentos da Lei de Deus: tendo Fé, amaremos a Deus sobre todas as coisas, nunca diremos nada contra Deus e encontraremos muitas alegrias indo à Missa aos Domingos e rezando todos os dias.
A Fé é como uma raiz da qual nascem todas as demais virtudes.

As Virtudes FÉ e HUMILDADE

No evangelho  de Lc. 7, 36-8, 3 é  apresentado Jesus que foi convidado para almoçar na casa de Simão. Quando estavam à mesa, entra uma mulher e vai diretamente a Cristo. Era uma mulher pecadora que havia na cidade. Tudo indica que ela já conhecia o Senhor, provavelmente ficara impressionada em alguma outra ocasião com as suas palavras ou com algum gesto da sua misericórdia. Hoje, grande dia, decide-se a ter um encontro pessoal com Ele. São visíveis os sinais de arrependimento e contrição: levou um vaso de alabastro de perfume, pôs-se atrás de Jesus, junto aos seus pés, chorando, e começou a banhá-los com lágrimas, e enxugava-os com os cabelos da sua cabeça, e os beijava e os ungia com o perfume. Sabemos o que se passava no seu íntimo pelas palavras que o Senhor disse: Amou muito! Mostrou que professava por Jesus uma veneração sem limites. Esqueceu-se dos outros e de si mesma; só Cristo é que lhe importava.

A fé e a humildade salvaram aquela mulher! Diz São Gregório Magno que “aquela mulher nos representou a todos os que, depois de termos pecado, nos voltamos de todo o coração para o Senhor e a imitamos no pranto da penitência”. A contrição faz com que nos esqueçamos de nós mesmos e nos aproximemos novamente de Deus; e é também demonstração de um amor profundo, que atrai a misericórdia divina sobre as nossas vidas. Os nossos piores defeitos e faltas, ainda que sejam muitos e freqüentes, não nos devem desanimar enquanto formos humildes e quisermos voltar arrependidos.

Que Deus nos faça cada vez mais ambiciosos por sermos santos, que nunca desanimemos na luta pela santidade, por alcançar o Amor de Deus. Ensinava São Josemaria Escrivá: “Neste torneio de amor, não nos devem entristecer as nossas quedas, nem mesmo as quedas graves, se recorremos a Deus com dor e bom propósito, mediante o Sacramento da Penitência (Confissão). Jesus Cristo não só se comove com a inocência e a fidelidade de João, como se enternece com o arrependimento de Pedro depois da queda. Jesus compreende a nossa debilidade e atrai-nos a si como que por um plano inclinado, desejando que saibamos insistir no esforço de subir um pouco, dia após dia. Procura-nos como procurou os discípulos de Emaús, indo ao seu encontro; como procurou Tomé e lhe mostrou as chagas abertas nas mãos e no lado, fazendo com que as tocasse com os seus dedos. Jesus Cristo está sempre à espera de que voltemos para Ele, precisamente porque conhece a nossa fraqueza” (É Cristo que passa, nº. 75).

Simão foi deselegante com Jesus! Não foi hospitaleiro. Não lhe ofereceu água para lavar os pés; não lhe deu o ósculo da paz; não lhe ungiu a cabeça com perfume. A mulher, no entanto, fez muito mais: lavou-lhe os pés, enxugou-os com os seus cabelos e não parava de beijá-los.

Simão não se deu conta das suas faltas, como também não é consciente de que, senão cometeu mais pecados e mais graves, foi pela misericórdia divina, que o preservou do mal. Comenta Santo Agostinho: “Ama pouco aquele que é perdoado em pouco. Tu, que dizes não ter cometido muitos pecados, por que não os cometeste? Sem dúvida porque Deus te conduziu pela mão. Não há nenhum pecado cometido por um homem que não possa ser cometido para outro, se Deus, que fez o homem, não o sustenta com a sua mão”.

Não podemos esquecer a realidade das nossas faltas, nem atribuí-las ao ambiente, às circunstâncias que nos rodeiam, ou admiti-las como algo inevitável, desculpando-nos e fugindo da responsabilidade. Se assim comportássemos, fecharíamos as portas ao perdão e ao reencontro verdadeiro com Deus, tal como aconteceu com o fariseu. Diz São João Crisóstomo: “Mais que o próprio pecado, o que irrita e ofende a Deus é que os pecadores não sintam dor alguma dos seus pecados”. E não pode haver dor se nos desculpamos das nossas fraquezas. Pelo contrário, façamos um sincero e profundo exame de consciência, sem nos limitarmos a aceitar genericamente que somos pecadores. “Não podemos ficar na superfície do mal; é preciso chegar à sua raiz, às causas, à verdade mais profunda da consciência” (Cardeal Wojtyla). Jesus conhece bem o nosso coração e deseja limpá-lo e purificá-lo.

Peçamos ao Senhor a graça da virtude da sinceridade! A sinceridade é salvadora! A verdade vos fará livres, disse Jesus. O engano, a simulação e a mentira, pelo contrário, levam à separação do Senhor e à esterilidade nos frutos da caridade.

A raiz da falta de sinceridade é a soberba. Esta impede o homem de submeter-se a Deus, de saber o que Ele lhe pede, e torna-lhe ainda mais difícil reconhecer que atuou mal e retificar. Chega-se à cegueira espiritual. Necessitamos de uma atitude humilde, como a da mulher pecadora, para crescermos no conhecimento próprio com a sinceridade e assim confessarmos os nossos pecados.

A humildade permite-nos ver a grande dívida que temos com o Senhor e sentir a radicalidade da nossa insuficiência pessoal, levando-nos a pedir perdão a Deus muitas vezes ao dia pelas coisas que não vão bem na nossa vida. Se formos sinceros conosco próprios não seremos juízes dos defeitos daqueles com quem convivemos!

A caridade e a humildade ensinam-nos a ver nas faltas e pecados dos outros a nossa própria condição fraca e desvalida, e ajudam-nos a unir-nos de coração à dor de todo o pecador que se arrepende, porque também nós cairíamos em faltas iguais ou piores se a misericórdia de Deus não nos sustentasse.

Peçamos à Virgem Maria que alcance de Deus, para nós, as virtudes da humildade e da sinceridade!
Mons. José Maria Pereira

Fonte: http://www.rccfortaleza.org.br

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