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6 de janeiro de 2010

A escola – lugar de aprendizado para a vida



A escola é uma das ocupações primordiais dos filhos durante a infância, a adolescência e a juventude. Portanto, é um percurso longo da vida e precisa ser de qualidade. Os pais têm papel importante na escolha e participação neste percurso dos filhos.
Cabe aos pais acompanhar o processo de aprendizagem dos filhos, sua adaptação à escola (seus relacionamentos com professores, colegas e funcionários).
Nos primeiros anos da vida escolar a presença dos pais deve ser intensa, uma vez, que a criança ainda não alcançou uma autonomia adequada. Porém, a presença dos pais deve acontecer durante toda a caminhada estudantil, tomando dimensões e características diferentes, conforme a faixa etária dos filhos.
Seguem algumas pistas para auxiliar os pais na vivência deste processo de participação na vida escolar dos filhos.
Converse com seu filho
Pergunte o que ele aprendeu no colégio, demonstre interesse, e dê importância ao seu aprendizado. Quando os pais participam da vida escolar dos filhos, as notas aumentam em torno de 20 a 50%. Proponha que ele lhe ensine algo que aprendeu na escola. Pergunte se ele tem dificuldades em alguma matéria ou conteúdo. Tente ajudá-lo a resolvê-las.
Cobre as obrigações de seu filho
– Favoreça que ele frequente a escola na hora certa. E que não falte às aulas sem motivo grave;
– Com perguntas, perceba se ele presta atenção nas aulas;
– Observe se ele faz as tarefas de casa diariamente;
– Os estudos mostram, segundo pesquisa da entidade “Educar para crescer”, que faltas dificultam muito a aprendizagem de crianças e adolescentes. E quanto mais aulas um aluno perde, maior será a probabilidade de ter um desempenho fraco e até repetir o ano letivo;
– Organize com seu filho o horário de estudos, de lazer, entre outros. Reserve um espaço da casa silencioso e organizado destinado ao estudo dos filhos.
Acompanhe as tarefas escolares
– Ofereça ajuda, motive, mas não faça as tarefas por ele e nem lhe dê as respostas prontas. Pais que agem assim, favorecem que os filhos se acomodem, desistam dos desafios e não priorizem os estudos como uma das atividades importantes da vida, repercutindo posteriormente, de forma negativa, na vida profissional;
– Estimular e ajudar não significa executar as tarefas pelos filhos. A pesquisa mostra que filhos estimulados pelos pais a estudar e a fazer as lições de casa têm um desempenho muito melhor. Estimule seu filho a pesquisar e a descobrir as respostas por conta própria, respeitando o potencial de cada faixa etária, conforme a escola orienta.
Perceba como está o aprendizado do seu filho
Observe se seu filho está aprendendo o que lhe é ensinado na escola. Provavelmente, dentro do percurso normal do estudante, observe:
 – Aos 8 anos, ele deve saber ler e escrever com facilidade, compreendendo o que lê nos livros, pelo menos aqueles de seu ano escolar;
– Aos 10 anos, deve saber somar, subtrair, multiplicar e dividir;
– Aos 14 anos, deve resolver equação de 1º. Grau com duas variáveis (X e Y) e interpretar textos com diferentes opiniões.
Confira sempre as notas e o boletim de seu filho. Se forem ruins, vá à escola, pergunte ao professor como você pode ajudar seu filho. Converse com o coordenador e peça orientação; se forem boas notas, elogie-o para que continue crescendo com responsabilidade.
Segundo informações do site “Educar para crescer” (www.educarparacrescer.com.br), um dossiê do Departamento de Educação dos Estados Unidos constatou que o acompanhamento constante dos pais influi mais no rendimento escolar de uma criança do que a renda da família.
Dê importância à leitura
 – Leia sempre. É bom para você e excelente para seu filho, que seguirá o seu exemplo naturalmente. Leia para ele desde bebê, com entonação e emoção!
 Estudos comprovam que filhos cujos pais leram bastante para eles quando pequenos, têm um desempenho melhor na escola. A proximidade com o mundo da escrita facilita a alfabetização e ajuda em todas as matérias, pois grande parte do aprendizado em história, geografia, matemática e outras disciplinas se dá por meio da leitura de livros, pois entre outros benefícios, enriquece o vocabulário, facilita a capacidade de interpretação dos textos diversos e desenvolve a capacidade de expressão oral e escrita;
 – Dê livros e revistas de presente para seu filho. Observe o conteúdo de valores que os livros trazem para que sejam motivadores da educação que você escolheu para sua família;
 – Coloque os livros ao alcance das mãos dele. Um dos fatores que mais influencia positivamente a aprendizagem é a presença de livros em casa. Mas não basta tê-los. É preciso lê-los. Lares modestos com mais livros produzem melhores alunos do que lares mais ricos com menos livros;
– Incentive a leitura de livros, utilizando jogos, brincadeiras em família que envolvam os conteúdos lidos. E, de acordo com a faixa etária, oportunize pequenas “recompensas” saudáveis e agradáveis como forma de reforçar tais atitudes. A internet pode deixar de ser uma “concorrente”, se aproveitada para alcançar os colegas de seus filhos e envolvê-los também nessa motivação à leitura. O ser humano tem necessidade de relacionamentos concretos (face a face). Oportunize a seu filho a satisfação dessa necessidade de forma criativa e saudável;
 – Estimule outras atividades que desenvolvam a leitura, como: jogos, receitas, mapas, leitura sobre lugares que irão visitar...
– Faça da leitura um momento de prazer. Use a criatividade, pode colocar uma música suave instrumental e em baixo volume, oferecer após a leitura um lanchinho diferente...
 – Favoreça o intercâmbio de livros com os colegas através de empréstimos para que os livros circulem e todos se beneficiem e se estimulem mutuamente à leitura;
 – Proporcione passeio para explorar bibliotecas e livrarias.
Dê o exemplo
Seja coerente. Suas atitudes refletem o que você pensa. Mostre que estudar é importante e ler, divertido. Estude e leia sempre. O livro proporciona viagens interessantes pela imaginação, pelas asas da cultura, e pelo mundo interior, favorecendo também o conhecimento da natureza humana e de si mesmo. A leitura também fortalece a vivência dos valores. Daí a importância de escolher bem os livros e de ter espírito crítico diante de seus conteúdos.
Crie um ambiente cultural e lúdico em casa
– Seja curioso: pergunte, questione, procure entender... Crie um ambiente cultural e lúdico em casa (jogos inteligentes, papel, lápis, tintas, pincéis, revistas, palavras cruzadas, caça-palavras, etc.);
– Escreva bilhetinhos para seus filhos. Ele vai valorizar ainda mais a escrita.
 – Estimule os filhos a escrever as memórias da família, a pesquisar suas origens mais remotas, a reunir informações através dos tios, avós, e outros. Além de valorizar e fortalecer os laços familiares, favorece a percepção dos valores importantes à família, possibilita o autoconhecimento e desenvolve também outras habilidades cognitivas através da pesquisa e da escrita;
 – Incentive o filho a escrever corretamente ao usar o computador e a internet;
 – Peça ajuda para escrever a lista de compras, anotações em álbuns de fotografias, recadinhos, etc.
Vá à escola do seu filho
Apresente-se aos professores e coordenadores de seu filho. Familiarize-se com os ambientes da escola. Conheça as regras do colégio e ajude a passá-las para o seu filho.
Ajude seu filho na conquista de autonomia e de amadurecimento
 – Nos primeiros anos de vida, o afeto constante, o cuidado direto e a presença física são fundamentais para o desenvolvimento afetivo, emocional e neurocognitivo da criança. Assim, a presença na escola também precisa ser mais constante para que a criança se sinta segura e confiante;
– Aos poucos, os pais devem ir ensinando a criança a tomar iniciativas e decisões mais simples, fortalecê-la nos valores e ajudá-la a adquirir habilidades de convivência e de resolução dos pequenos conflitos normais no cotidiano das crianças;
– Faça-a refletir sobre as consequências de suas ações. E não hesite em deixá-la perceber e assumir os desdobramentos desses conflitos. Isto ajudará a construção do autodomínio e da autocensura necessários para o convívio social adequado;
– Na adolescência, a presença precisa ser mais sutil, porém, regular para acompanhar esta fase desafiante que o filho enfrenta. Abrir as portas de casa para os amigos dos filhos. Assim poderá, com discrição e respeito, conhecer como está a cabecinha dos adolescentes e poder intervir com amor e firmeza quando necessário. Conversar com os professores é também muito importante neste período. Seja firme em exigir responsabilidade e compromisso do filho, na sua vida estudantil.
Valorize o professor
Mostre que você admira a profissão do professor. Ensine seu filho a ouvi-lo e a respeitá-lo. Não desautorize o professor na frente de seus filhos (com críticas negativas ou comentários indevidos). Procure os professores periodicamente e converse com eles sobre seu filho, “sem defesas nem ataques”. Participe das reuniões. Se não compartilhar a mesma opinião que o professor ou coordenador, converse com eles a sós. Busque entrar em comunhão com as orientações da escola.
Entenda como a escola trabalha
– Informe-se sobre o período de provas e motive seu filho a estudar com antecedência, especialmente aqueles conteúdos que são mais difíceis para ele;
– Participe das atividades da escola: exposições, torneios, reuniões de pais, festas, festivais, campanhas e outras.
– Critique, elogie, faça sugestões, coloque seu ponto de vista com simplicidade.
Escolha bem a escola do seu filho
Procure informações sobre a proposta pedagógica, sobre os valores que são enfatizados na filosofia da escola, para que haja sintonia entre família e escola, na educação dos filhos. Pesquise sobre os índices de repetência e evasão escolar, conheça a estrutura física. E converse com outros pais que tenham filhos estudando nela. Investigue como são encaminhadas e resolvidas as dificuldades de aprendizagem dos alunos durante o processo de aprendizagem.
 Informe-se também se a escola investe na formação continuada dos professores. Não existe escola perfeita, mas é possível escolher melhor, e também participar no seu desenvolvimento. Escolas católicas, por uma questão de coerência, esforçam-se para ser fiéis aos seus princípios cristãos, que são universais.
Estabeleça prioridades ao escolher a escola
  As instalações devem ser adequadas, mas não devem definir uma escolha. Também é bom que a escola ofereça atividades extracurriculares, mas o que deve ser avaliado é se seu filho vai aprender de verdade português, matemática, história, geografia, ciências, conseguindo, resolver problemas, analisar textos, ter uma visão crítica do mundo pautada nos valores, e a relacionar-se com respeito pelos seus semelhantes.
 A escola é boa quando prioriza a aprendizagem e os valores, colunas para o desenvolvimento de uma vida digna e feliz, comprometida com a construção de uma sociedade ética e pacífica, em conformidade com o Projeto de Deus para a humanidade.
A escola, como instituição que educa, não pode prescindir da religião, pois é ela o alicerce que eleva o homem acima da vida natural, impulsionando-o a transcender e dar sentido à sua vida, ao seu trabalho, ao convívio humano, e ao bem que deve permear suas atitudes. Religião é vida. Viver é buscar ser feliz, e a felicidade nesta vida e na futura (a vida eterna) é conquistada na realização plena do homem, criado por Deus, para amar e ser amado.


Laura Martins
Missionária da Comunidade Católica Shalom e Psicopedagoga
Fonte: http://www.comshalom.org/formacao

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