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22 de janeiro de 2010

Dia da alegria



A participação regular na Missa dominical é sinal de nossa pertença à Igreja. A Carta Apostólica “Dies Domini”, “Dia do Senhor”, do Papa João Paulo II “ao Episcopado, ao clero e aos fiéis da Igreja Católica sobre a santificação do domingo”, representa um grande esforço em favor da observância de tão grave dever.
Diz a Carta Apostólica: “(...) a celebração do Domingo cristão pelos significados que evoca e as dimensões que implica, relativamente aos fundamentos mesmos da Fé, permanece um elemento qualificante da identidade cristã”.
Aos discípulos de Cristo não é suficiente que rezem individualmente. “É importante que se reúnam para exprimir em plenitude a própria identidade da Igreja, assembleia convocada pelo Senhor Ressuscitado” (nº 31). Ela “é lugar privilegiado de unidade”. No início do século III, a “Didascália dos Apóstolos”, escrita provavelmente na Síria por um Bispo, refere-se ao preceito dominical: “No dia do Senhor, deixai tudo e, zelosamente, correi à vossa assembleia, que é o vosso louvor a Deus”. No século IV, percebe-se o zelo heroico dos discípulos do Senhor Jesus no fato seguinte. Em plena perseguição de Deocleciano, os mártires de Abitinas, na África Proconsular, assim responderam a seus acusadores: “Foi sem qualquer temor que celebramos a ceia do Senhor, porque não se pode deixá-la: é a nossa lei; não podemos viver sem a ceia do Senhor”. E uma das mártires confessou: “Sim, fui à assembleia e celebrei a ceia do Senhor com os meus irmãos, porque sou cristã”. E sofreram o martírio. Comparemos a atitude desses fiéis com a de tantos outros em nossos dias.
Vem a ser uma obrigação de consciência participar da missa cada domingo. A Igreja nunca cessou de afirmá-la, “embora, em um primeiro tempo, não tenha julgado necessário prescrevê-la. Só mais tarde, face à tibieza ou à negligência de alguns, teve de explicitar o dever de participar na missa dominical”. Hoje, como nos heroicos tempos primitivos, em muitas regiões do mundo a situação se apresenta difícil para quem deseja viver coerentemente sua Fé. Diz o Santo Padre que pertence, de modo particular, aos Bispos, empenhar-se “para fazer com que o Domingo seja reconhecido, santificado e celebrado por todos os fiéis, como verdadeiro “Dia do Senhor”.
O zelo pastoral orienta a comunidade local a acolher fraternalmente os irmãos que chegam, como turistas peregrinos. Uma celebração jubilosa, animada pelos cantos dignos da tradição eclesial na letra e na melodia, conforme as disposições litúrgicas, é de grande valor. Infelizmente hoje há um hinário que, em vez de cantar o amor ao Pai e aos irmãos, exalta o conflito, substitui o louvor a Deus pelas criaturas e dá preferência aos benefícios temporais sobre os valores eternos. Além da Missa, diversas iniciativas, como visita aos santuários e encontros familiares enriquecem esse dia. Embora não satisfaçam ao cumprimento do preceito dominical, as transmissões televisas ou radiofônicas são de grande importância. Levam aos ouvintes a mensagem do Evangelho e incitam à piedade.
Um outro aspecto abordado por essa Carta Apostólica é o Domingo como dia de alegria, repouso e solidariedade. “Que todos estejam alegres no primeiro dia da semana”, lemos no “Didascália dos Apóstolos”, escrita no século III. Recorda-nos o Santo Padre: “Não existe qualquer oposição entre a alegria cristã e as verdadeiras alegrias humanas”. O descanso dominical só pôde ser observado a partir do século IV, quando a lei civil, sob Constantino, quebrou o ritmo semanal, determinando a suspensão do trabalho no “Dia do Sol”. A relação entre o Dia do Senhor e o dia de descanso na sociedade civil tem um valor e um significado que ultrapassam o horizonte propriamente cristão.
Os fiéis se esforcem para que a “legislação civil tenha em conta o dever de santificar o Domingo” . A abertura do comércio é um óbice que se coloca à prática religiosa.
O domingo, para o discípulo de Cristo, é também o dia da solidariedade mediante obras de caridade, misericórdia e apostolado. Desde os tempos apostólicos é um momento de partilha fraterna: (1 Cor 16,2).
Verdadeiramente grande é a riqueza espiritual e pastoral do Domingo. Constitui uma síntese da vida cristã e uma condição necessária para preservá-la. Compreende-se a razão de a Igreja envidar esforços para sua fiel observância, permanecendo no âmbito da disciplina eclesial. No entanto, mais do que um preceito, “deve ser vista como uma exigência inscrita profundamente na existência cristã (...) A graça que dimana fonte, renova os homens, a vida, a história”.
O cristão tem consciência da originalidade do Domingo, dia da alegria e do descanso, pelo fato de ser a celebração do Senhor Ressuscitado. O Santo Padre nos exorta a reconhecer seu valor e vivê-lo melhor. E acrescenta: “Os homens e as mulheres do Terceiro Milênio, ao encontrarem a Igreja que, cada Domingo, celebra alegremente o mistério donde lhe vem toda a sua vida, possam encontrar o próprio Cristo Ressuscitado”.


Cardeal Eugenio de Araujo Sales
Fonte: www.comshalom.org

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